Poema da madrugada
Inspiração que vieste
Ao meu encontro a esta hora
Diz-me lá o que trouxeste
Quero transmitir agora.
Trouxeste ao meu coração
Mais um motivo aceitável
Que me dê uma forte razão
E acreditar no impossível.
Sempre que digo não quero
Vens tu vida,para contrariar
Confrontas meu desespero
E obrigas-me a aceitar.
Aceito sempre de bom grado
O que tens para me ajudar
No meu destino já traçado
Tenho medo de me magoar.
Mas tu provas-me o contrário
Levas-me ao mundo de sonho
Quando eu penso que é fadário
Mostras-me um dia risonho.
Penso sempre com ansiedade
Chego a ficar horas acordada
Com o sentido da realidade
Escrevo o poema da madrugada.
De Arlete Anjos
23/10/2016
Conversa com o espelho
Hoje acordei sem ter a quem amar,
Quando olho no espelho ele me diz,
Que estava ali,para mim a olhar,
A pessoa que pode fazer-me feliz.
Ontem fui dormir tranquilamente,
hoje acordei sem ter a quem amar,
por momentos eu tive bem presente,
as perspectivas que posso encontrar.
Lutar pelos momentos que sempre quis,
e os valores com que posso contar,
quando olho no espelho ele me diz,
que olhasse em frente sem chorar.
Deixar de pensar,não envelhecer,
porque não adianta mais lamentar,
olha para ti para não esquecer,
que estava ali,para mim a olhar.
A pessoa que pode fazer-me feliz,
num reflexo me ensinou a dialogar,
quem encontrou comigo a minha raiz,
e me ajudou à felicidade alcançar.
De Arlete Anjos
14/08/2013
Lágrima caída
Depois da lágrima caída
Com sabor a sal e a fel
Por tua boca bebida
Ficou com sabor de mel.
Vi-te chorar por alguém
Que sem portas de saída
Já nem sabe de onde vem
Depois da lágrima caída.
Também te vi a sorrir
Por teus sonhos de papel
Depois teu castelo ruir
Com sabor a sal e a fel.
Tão amargo o teu chorar
Em que te vi tão perdida
Essa lágrima quis secar
Por tua boca bebida.
Teu rosto desfigurado
Pela dor, feito a cinzel
Depois de o ter beijado
Ficou com sabor de mel.
De Arlete Anjos
26/09/2013
Não quero sentir saudades
Sentir saudades de alguém,
ou de algo que já tivemos,
quem em nosso peito vem,
lembrar o que já sofremos.
Não quero sentir saudades,
nem quero falar de amores,
quero ter boas amizades,
e as saudades são flores.
São flores assim tão belas,
que não nos fazem sofrer,
não quero morrer por elas,
nem com elas quero viver.
São difíceis e dolorosas,
as saudades que sentimos,
deixam marcas horrorosas,
que por elas sucumbimos.
Pois eu não quero sentir,
um sofrimento tão atroz,
que nem me deixa sorrir,
leva-me a alegria da voz.
Os olhos perdem o brilho,
o coração sofre de pesar,
afasta-me do meu trilho,
até me esqueço de amar.
Assim eu vou rejeitar,
toda a saudade que vier,
para ela não me matar,
ou eu de saudade morrer.
De Arlete Anjos
7/08/2013
Na beira do rio
Recordo o sitio onde eu te conheci
Era menina e nem sabia quem eras
Lembro os teus olhos quando te vi
Lindos e brilhantes como estrelas.
Andávamos na escola nesse tempo
E tu andavas noutra mais distante
Só nos viamos por vezes um momento
Que belo era para nós aquele instante.
Éramos crianças e juntos brincámos
Nos campos onde ambos morávamos
Como era bom,e agora recordarmos
Esses belos momentos que passávamos.
Nossas brincadeiras eram tão simples
Às escondidas,ou então à apanhada
E como nesse tempo éramos tão felizes
Só queriamos estar juntos e mais nada.
Nem eu nem tu,sabiamos nada do amor
Mesmo assim disseste que me namoravas
Eu tive medo e senti nas faces um calor
Não sabia que tu logo ali me beijavas.
Incrédula e sem saber o que havia de fazer
Desatei a correr com medo da minha mãe
Não fosse ela estar à espreita e me ver
Ou então poderia aparecer mais alguém.
Vim então a descobrir e agora é tarde
Que devemos dar às coisas a importância
Quando lembro,no meu peito ainda arde
A lembrança do amor da minha infância.
Mas o tempo passou,não mais nos vimos
Em tantos anos distantes, há o vazio
Mas ainda lembro bem o que sentimos
Quando nos conhecemos na beira do rio.
De Arlete Anjos
22-03-2008
Interrogo-me
Ai como eu gostava
O fazer todos os dias
Palavra por palavra
Escrever belas poesias.
Por vezes não consigo
No meu intimo pensava
Mas não sei porque digo
Ai como eu gostava.
Falta-me a inspiração
E conjugar as energias
Não entra no coração
O fazer todos os dias.
Ouvir o som melodioso
Que meu coração falava
Num poema harmonioso
Palavra por palavra.
Pergunto ao pensamento
Onde estão as alegrias
Que fazem no momento
Escrever belas poesias.
De Arlete Anjos
2013/11/10
A casa de sonho
Como eu gostava de morar
Numa casa com um jardim
Com lindas aves a cantar
E os animais à espera de mim.
Frondosas árvores ao redor
Arbustos nas sebes a contornar
Plantas no jardim sempre em flor
E ouvir também os cães a ladrar.
Pela janela ver o dia nascer
Abrir as cortinas e sentir ar puro
Esta é a casa que eu sonhei ter
Como meu ninho e porto seguro.
Sempre há algo que nos encanta
Tornando o nosso mundo risonho
Cada florir de uma nova planta
No jardim da nossa Casa de Sonho.
Arlete Anjos
01/08/08